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“Nem deveria ser discutido”, diz infectologista sobre abertura de igrejas

Os próprios lideres deveriam usar suas posições para passar a informação correta. É pena que alguns não o façam — muitos fazem

Realizar cultos religiosos quando o Brasil passa pelo pior momento da pandemia não deveria nem ser uma possibilidade. Essa é a posição da microbiologista Natalia Pasternak sobre a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em liberar a abertura dos templos neste final de semana. Segundo a pesquisadora, em entrevista à CNN Brasil neste domingo, templos com aglomerações são locais propícios para a proliferação do vírus e deveria ser papel dos próprios líderes religiosos a estimular a realização dos cultos por outros meios

A questão dos templos religiosos no geral é algo que nem deveria discutir se deveria abrir. Deveria estar sendo passado uma mensagem clara para a população de que, infelizmente, nesse momento, não é possível abrir porque são locais que chamam aglomerações e contribuem para o contagio.Natalia Pasternak, microbiologista.

A decisão foi preferida ontem pelo ministro Kassio Nunes Marques, do STF, e libera a abertura de templos religiosos, vetada em parte do país, como São Paulo e Belo Horizonte. A posição, no entanto, não é consenso nem dentro da própria Corte. Para Pasternak, os líderes religiosos deveriam assumir o papel de destaque e explicar por que não é possível realizar os cultos presencialmente, dado o pior momento da pandemia no Brasil.

Os próprios lideres deveriam usar suas posições para passar a informação correta. É pena que alguns não o façam — muitos fazem — e que haja um jogo político se aproveitando dessa situação”, disse Pasternak. Ela lamentou que um jogo político influencie nas decisões em relação à pandemia. Neste feriado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dedicou parte das suas publicações a questionar o isolamento social e comemorar a liberação das igrejas. A desinformação tem sido a marca do Brasil no combate à pandemia. Isso é muito triste porque é uma pandemia cuja solução depende do comportamento humano. Depende da colaboração de pessoas e da capacidade dos líderes de se comunicarem bem com a população e chamarem a população para, juntos, estabelecermos estratégias

Natalia Pasternak, microbiologista

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