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Material apreendido com mulher que vacinou empresários era soro, diz laudo da Polícia Federal

Falsa enfermeira teve a prisão em flagrante convertida em preventiva

O material apreendido pela Polícia Federal na casa da falsa enfermeira Cláudia Mônica Pinheiro Torres de Freitas é soro fisiológico (solução cloreto de sódio), conforme aponta o resultado do laudo da perícia divulgado nesta quinta-feira

A enfermeira presa pela Polícia Federal por realizar suposta vacinação contra covid-19 em garagem de empresa de ônibus em Belo Horizonte já atuava com o esquema na cidade desde o início de março, conforme investigações da Polícia Federal. A mulher, que foi levada para a Penitenciária Estevão Pinto na noite de terça-feira, 30, teve a prisão temporária convertida em preventiva.

As autoridades constataram que a mulher, que na verdade era uma cuidadora de idosos, atendia também a domicílio. De acordo com as investigações, um dos bairros em que ela mais fez “atendimentos” – em casas e apartamentos – foi o Belvedere, de classe alta. “Os moradores lá estão todos sem saber o que fazer” afirma um empresário que frequenta a região.

Diligências feitas pela Polícia Federal encontraram na casa dela ampolas de soro fisiológico. A suspeita é que era isso que vinha sendo aplicado nas pessoas que contratavam seus serviços.

Conforme a Polícia Federal, a enfermeira, com os recursos que ganhava com a aplicação da “vacina”, estava comprando carro e um sítio. Segundo a revista piauí, que denunciou a ocorrência de uma vacinação irregular contra a covid-19 na garagem de ônibus em reportagem publicada no dia 24, a enfermeira cobrava R$ 600 por duas doses do que afirmava ser vacina.

Vídeos aos quais o Estadão teve acesso mostram uma mulher de jaleco branco em meio a carros em uma garagem no bairro Caiçara, região noroeste de Belo Horizonte. Segundo as apurações da PF, a suposta vacinação, no local, ocorreu nos dias 22 e 23. Pelo menos 80 pessoas passaram pelo local naquelas duas noites.

A garagem é de uma empresa que pertence ao grupo Saritur, conforme informações de um funcionário repassadas à reportagem no local. No início desta semana, os empresários Rômulo Lessa e Robson Lessa, da Saritur, prestaram depoimento à PF e afirmaram ter comprado o que acreditavam ser imunizantes de forma irregular.

Legislação aprovada pelo Congresso Nacional autoriza a importação de vacinas, desde que sejam repassaram ao Sistema Único de Saúde ao longo do período em que são imunizados grupos prioritários, como idosos e agentes de saúde.

A PF, inicialmente, trabalhava com três linhas de atuação. Desvio de vacina do SUS, contrabando do imunizante ou golpe. Na segunda-feira, 5, o filho da enfermeira prestará depoimento à Polícia Federal. A suspeita da PF é que ele seja o responsável pelo recebimento dos pagamentos, que ocorriam, muitas vezes, via PIX, o que vai facilitar as investigações das autoridades.

Além da compra de imóvel e veículo, outro indício de que a enfermeira vinha aplicando o golpe de forma mais ampla pela cidade é que, antes de comparecer na terça-feira à garagem da empresa no bairro Caiçara, já havia passado em outros dois locais. A reportagem tenta desde a semana passada, sem sucesso, contato com a Saritur, via telefone fornecido por funcionário do próprio grupo.
 

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